quinta-feira, 19 de novembro de 2009

No desespero do vigor que me resta

Uma carta de des-apego

Sinto muito,
não prometo suprir suas expectativas,
nem o espero, nem o quero, sem esmero, nem desespero
Do zero ao um, do um ao zero – céu e inferno
Não quero uma carta de alforria, nem uma caixa em que me en-caixe
nem quero ser peça que sirva no encaixe

Anseio no seio d’alma ser leve-livre-louco,
no estar uma fantasia
Não pré-tendo lhe agradar, nem lhe agarrar, nem amar, nem... Nada
Não prometo ser eterno,
com-prometo-me comigo mesmo a ser etéreo,
não sendo estéreo, nem sério, nem... Nada

Qual a graça na des-graça do mundo das pro-messas
que atira jardas e dardos ao vazio da incerteza,
que mata o impulso primaveril reluzente n’alma,
que abate as possibilidades do vir-a-ser com uma armação de rigidez assassina,
faz do transcedetal-imortal sua sina
faz da identidade tal
que o espírito fugaz, sub-existe, como i-moral






Ao final,
Nominal.












[7]

domingo, 8 de novembro de 2009

Em cada poro do mundo-aí se impregna...

O aroma intenso do Eu

As linhas não podem suprir o desejo,
sua imensidão é seu maior pejo
Talvez pílulas possam satisfazer
o desejo interno do discurso de ser

As luzes nos postes já esmorecidas,
pálidas como damas românticas,
ocultam-no em algures, lá, velado,
como um tesouro cravado no solo

As dúvidas que me movem agora
são como gotas que marcam a hora
Talvez mais um gole não me derrube
ou mergulhe-me num sonho – Não perturbe!

Talvez se eu acender velas e orar
Quem sabe em um livro sobre como amar
O que é essa dor eu não sei dizer
Estou aqui há tanto tempo quanto você

Tudo é tão igual que o asco e temor me consomem
Tudo é tão meu que pronomes insistentes se repetem,
mesmo os léxicos, perplexos, deixam-se tremer aí
Os padrões exigem de si cada vez mais o seu falir

Olhando para os lados parece não haver saída
Aqui, nessa rua sem luzes a voz ansiosa é perdida
Entre as esquinas figuradas pelo tempo voraz
passado desenha-se, marcando-as, mantém-se tenaz

E nos últimos suspiros de cada instante talvez haja desistência, talvez não,
talvez haja só amores e incertezas, mas o que mais se precisa para viver, para mover, para – atomicamente – ser!?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Explo-sição;


O Lamento do Elemento Vazio


Minha vida fede
meu humor pede
mas o tempo, o tempo não cede

Em meio à sebe
não há quem saiba
não há que responda
não há, não há, não, não há
não pode haver
algo que apraza o meu ser
meu ser em brasa

Minha vida fede
minha alma tem sede
mas estou enleado, enleado em rede

Em meio à sebe
meu ânimo foge
meu ânimo em fogo
queima, arde, consome-se e consome-se
até reconhecer
nas fuligens do meu ser
o vazio das origens

O ente que se desperta,
não quer mais voltar a ser
não quer mais voltar-se ao ser
ele aconselha que se esqueça

O ente que se esquece
quer fugir da angústia que é
quer fugir da angústia ao não que é
assim percuti a prece

Assim segue-se o lamento
segue-se o desencanto
aos prantos

Assim perpetua-se o desatino
perpetuas-se o fino
som do sino

Em sentenças eu temo
eu falho, eu sou

Em símbolos eu morro
eu corro, me vou

Aos choros em coro o fim.

O gosto do nada em mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Fragmentos (III)



Uma xícara de chá (com gosto) de amor




[...] e o que você conseguiu foi deixar uma marca profunda e um gosto de quero mais nos meus lábios, de tal maneira que a língua quando os toca faz exalar em cada rincão da minha alma o regozijo e a lembrança, mas, como uma droga que vicia, logo vem a dor e a angustia da falta, logo vem o desejo torturante de querer repetir a dose, que me mata, que me mói, que me consome, me destrói.

- E o eu que sobra disso?

Um inconstante instante eterno de retornos em contornos tortos e incontidos contados como se fossem contos de encantos puros, contos de fadas de final feliz pintado em céu azul com cheio de anis.
Mas aqui não há final feliz. Talvez se não houvesse final tudo já o não seria assim, mas cá pra mim, que graça teria então?
Que graça teria, se cada jardim da paixão fosse deixado morrer após a tempestade de granizo do não?
Por isso sorrio, não como se tudo fosse novo, mas como se isso não fosse o fim, o que me mata me dá sentido, mas com já dito, em quanto esse momento não chega cada golpe que não me derruba me deixa mais forte para o golpe seguinte.
Para cada lágrima que derrama minha face estampa-se um eu mais sorridente.


[6]

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Considerações sobre o tempo


Ad infinitum (?)


Deito-me no cais, vem-me o conflito
Se o tempo não tem tempo, se o tempo é infinito
Como se tem tão pouco tempo?
Como se perde ou se ganha tempo?
Como ele escapa se há tempo aos montes?
Se ele não é sólido, como com ele se constroem pontes?
Como com ele se apaga as dores?
Como nele se criam as cores?
Como o tempo acaba se não tem começo?
Como se vende se não tem preço?
Será que o tempo não tem pó?
Será que ele vê a ave só?
Será que ele vê o avesso?
Ou será que de tempo careço?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O muro da casa de leprosos exibe, já degradado pelo sol,

...rabiscos y interrogações de um louco.

Um beijo será sempre de amor?
Um perfume sempre será de doce odor?
Um sussurro suado soado de lábios colados ao ouvido será sempre carinhoso?
Seria toda a serenidade em tons degradê pacífica?
Um afago mudo com toque de veludo - no ego - será sempre bondoso?
Seria toda sabedoria deífica?

O que guarda seu peito?
Imagina-se possível que fiquem silenciados todos os resíduos do controle?
Imagina-se que cicatrizam indeléveis as maculas da disciplina?
Um controle mais do que imposto, algo quisto, desejado, porém, nocivo!
Longe do cuidar-de-si, do preparar-se para o trágico e irracional mover-se da vida.



Você fez-se preparado?
Mesmo?
Engodo!
Você é fraco!
Irá cair!
Você não se conhece!
Você irá falir!
Nós iremos!
Todos!
Um a um, pouco a pouco.
Até restar menos que carcaças enfileiradas prontas para o abate.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nas mãos de um corpóreo mortal...

Um instante infinito

Eu poderia olhar a foto o dia inteiro, a semana inteira, o mês ou mesmo um ano completo sem sequer repetir um segundo de memória, sem me cansar por um só momento do ato, sem deixar repetir-se um só fato, um só detalhe – esses, que são milhares, vem e vão, em vão trazem e levam nos vãos do meu siso o sorriso.

Poderia ser um quadro, uma aquarela em tons pastéis, um esboço em guardanapos ou em velhos papéis. Mesmo assim poderia passar o resto da vida lembrando cada minúcia, cada nuança, cada sensação escondida, recolhida sobre as cobertas, aconchegada no colchão.

Sento, deito-me, ajeito-me buscando a posição perfeita para admirar as faces na foto. Meus dedos acariciaram o papel colorido com teu semblante, descolorido pela incerteza, pela imprecisão que me atormenta. Seria tão mais fácil uma breve resposta. Um “sim” que faz levitar, sonhar outra vez. Ou um plúmbeo “não”. Qualquer um é melhor que a mácula do silêncio deixada no coração.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"longe de um ordenar, quer se inspirar..."

Uma nota de alegria

Cantarole um belo dia,
faça-o nas notas que lhe brotam aos lábios
Sussurre sua companhia
em crescendo fugitivo dos duros sábios

Assobie, emane o que lhe abunda os pulmões
Exale o brilho, nos seus olhos, criador
Expresse pelos poros o mover das paixões
Dê abrigo pleno aos sonhos em seu amor




Cante os sorrisos alheios,
plante-os como sementes do que lhe encanta
Faça soar sem freios
o solo fértil que no qual crescerá essa planta

Dance, regue com os sentimentos mais seus
Cultive a flor de um ser mais reluzente
Deixe correr seiva vermelha por entre breus
impelindo a nascer algo simplesmente... diferente

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ein krummer Nagel hielt fest:

[Nicht in die Flamme schauen!]
 

A luz ofusca a visão,
troca-se as palavras tamanha a indecisão
Não há muita certeza
nem palpites para o que pretendiam-se ver lá
Tanta intensidade não des-vela
e sim re-vela
Um joguete
com as chamas de um foguete
No fundo, não há explicação do porquê
e/ou do que
Ao menos a olhos nus
aos vislumbrares crus
Tudo um engano mórbido
profundo e sórdido
mas por isso, deves tu, adotar o lema:
“não olhes para as chamas”?
Aí que te enganas,
enganas como os olhos de quem ama
e desse anelo mortal
o erro capital
está em deixar-se levar
para evitar o cegar,
está em preferir seguir
o que, no fundo, é outro cego quem diz
À luz disso,
prefiro o meu juízo,
mesmo que cego,
do que seguir a placa, ao prego
presa, escrita em letras garrafais:




- Não olhes para as chamas, jamais!


[5]

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Entre epopéias, o conto de um...

Anjo de asas frágeis


Quem dera que minhas asas estivessem fortes o suficiente para poder, eu, voar até teu encontro
Ao menos uma vez
Mergulhar em teu colo aconchegante e nele descansar minhas angústias e sonos
Conturbados
Pesadelos que cercam minhas noites e atordoam meus pensamentos sobre o que sinto
No meu cerne
O desejo pelo solo cresce, mas por um solo que não seja pantanoso como o que sempre pisei
Por tantos anos
Passei sem ter porquê usar minhas asas e agora que as preciso tanto, atrofiadas, não me servem
Nem para cobrir-me do frio
Nem para proteger-me do terror
Nem para confortar minha solidão
Quem me dera que minhas asas estivessem vivazes como meu anelo por teu encontro
Para que, sem delongas, pudesse realizar o abraço, em novas paragens
Entre Hermes, Afrodite e o anjo de asas frágeis

domingo, 26 de julho de 2009

Esboço angustiado...

Sobre um sonho, ou outra coisa lasciva





















Luzes baixas
Visão turva
Clima aconchegante
Experiência nova

Cheiro doce
Música inebriante
Boa companhia
Cadeira elegante

A noite esvai-se
O tempo flui
Aumenta o prazer
O desejo sorri

Mais uma noite aqui de regozijo
Um beijo na boca do desejo
Nesse novo devir eu te abraço,
mas você me consome nesse laço

Quando percebo
não há mais aquilo que vi,
nada diferente,
Nem em mim, nem em si

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Self-service of...


Test Meat


Não olhe para trás,
pois há pouco que se possa fazer agora
Toda sua raiva,
em poucos palavras
um urro intenso,
um murro denso

Continue a marchar,
esqueça o que se passa ao redor
Toda a explosão
amargurando seu paladar
expurgando o imerso
enxugando o inverso





Uma bela boneca em uma vitrine
ou um modelo que se exibe
em qualquer esquina, por qualquer preço
– A qualquer preço!

Um carne de teste, sem mais interior,
um bolo de algo amorfo insípido, inodor
que traz a suspeita do fim vazio
– Do fim frio!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Em tons confusos:

Um canto d'Alma

O brilho do teu sorriso
é como catarata
que cega teus olhos a mim

Um apreço mais que amigo
faz-me falta
de quem me é afim

Simpatia que tu esboças
deixa mais confuso
quem já firme não se sente

Mesmo quando (fortemente) negas
faz-me esperançoso
ao balançar dos cachos sobre tua face sorridente
















[4]

domingo, 12 de julho de 2009

Um cântico sobre...

Um dia qualquer no inferno

Nessa terra de cegos
Por vezes fui concertado
Anjos caídos, deuses falecidos
Cadáveres surdos-mudos

Fica-se distante dos próprios atos
Pensamentos que nunca foram testados

Vejo meu eu morrer a cada dia
Mas guardo e aguardo os fantasmas

As cicatrizes dos sentimentos profundos
Das batalhas de pólos incertos

Nessa vida sem sentido
De corações feridos
O ouro compra tudo,
Das angústias aos direitos

Os dias passam deixando marcado
O tédio nos lábios – Calados!

Vejo nos olhos canibalismo humano
Todo o ódio desse mundo imundo

A autodestruição das mentes
Enforcando-se com as correntes

Exército de cérebros mortos
Valores e desejos vãos
Energia que se gasta
Sem qualquer paixão

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Apenas um texto:

Um escrito em homenagem
àqueles que foram mais
do que simples amigos...


Plus Ultra


Abra os olhos e veja mais além,
Pense por si mesmo e não se compare a ninguém

De mais um passo transpondo o passado
Não seja mais um super-algo do que foi deixado

Assassine ou faça viver
Mas não se deixe sufocar
Não ligue para o que dizem
Deixe sua vontade aflorar

Crie seu amanhã fazendo a vida valer
Não quem esperar nem o que temer

Gere ilusões, faça seu destino
Não ouça outras vozes, cante seu próprio hino

Olhe ao redor e veja
Você pode ir mais além
Olhe pra si mesmo
Faça por você ou faça por ninguém

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Em poucas linhas...

Uma Carta de Partida

Com a esperança, de quem veleja por entre as nuvens,
de encontrar em algures um mundo novo
Enchendo os olhos na partida, mas, ansioso pela chegada
e sem remorsos do que cativo deixa, em busca do encontro
de novas experiências, novos aromas,
visões diferentes, inconsequentemente movendo-se ao desconhecido;
em tantos sonhos já contemplado.

Ébrio com tal encanto
a cada dia que passa
confundo mais a batida do coração
com teus passos.



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fragmentos (II):

“Eu seria hoje o ser mais feliz do mundo, mais feliz que os desuses da Alegria, do Sorriso e do Gozo juntos! Ouve: Eutychia seria mera mortal perto de mim!
Se tu, nem que por um instantinho, olhaste e disseste: ‘Eu vi, eu li, gostei. Isso aqui, que meus olhos beijam, me agrada’.
Eu sei que com isso traio e crio um embuste a mim mesmo, mas abro meu peito para dizer-te o que sinto, ainda que tu hajas de jamais deixar em teu semblante refletir-se estas páginas.”








[3]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Para recomeçar...

Aproveitando-me do ensejo deixado pelo início de um novo semestre e após esse tempo por sobre as redes virtuais, vale-me fazer uma nova apresentação.
Já, após tantas transmutações, o garoto inocente – ou nem tanto – não sorri nem chora diante das mesmas coisas. Doravante, certo viver, fez um novo eu se erguer, então apresento-lhes-me:
Sou um cavaleiro, ainda um mancebo medrançoso, errante e solitário, caminhando por infinitos horizontes finitos, incontáveis e desvanecedor ao vaticínio alheio.
Em constantes duelos em busca da satisfação interna, que fortalece o casamento entre a solidão introvertida e a espontaneidade criativa do âmago desejoso de vida, de dúvida e do mais-além.
Onde o dragão a matar é o egoísmo coletivo, que anula a individualidade de um ente ofegante, nostálgico, sufocado, mas ávido pelo novo.
Onde a princesa a salvar é o regozijo pessoal, em que de gênero nada voga, mas que de individual arraiga-se fixado até à medula.
Sem medo do que possa ouvir, amando o que possa ir ou vir a ser o meu eu, sem jamais cair de joelhos no solo já ressequido da modernidade suicida, racional e cega de fé nos limites do homem, com sendo limites do todo.
Amando em ti o que não vejo em mim, mas que também não expurguei daqui.
Amando em mim tudo que me agrada deveras, transformando em minhas entranhas, o que a ti possa parecer vício, erro, mal e vil, em minhas virtudes mais próprias, mais íntimas, das quais altivo não me envergonho, para além, bato o pé frente ao teu confronto com minha teimosia vivaz!
De antemão aviso-te, meu egoísmo não é o tal dos vermes sedentos por morte e qualquer latão luzidio, pelo contrario, engulo restolhos para cuspi-los como exuberantíssima flor!
Canto meus próprios hinos, que sobrepõem os cânticos balidos pelos rebanhos, para que estes não ensurdeçam meus ouvidos, não ceguem meus olhos, nem acorrentem minha mente às velhas verdades extra-mundanas já falidas.



terça-feira, 30 de junho de 2009

Humanos de todas as cores e de todas as terras uni-vos e ouvi:

Máximas aos rebanhos, servos e ressentidos


Odiai-vos uns aos outros!
Pois só assim proliferarão
a crença de punições vinda das estrelas,
dos céus inumanos

Obedecei cordeiros infiéis!
Mesmo que isto custe vossas vidas,
pois sereis recompensados com promessas inauditas.

Vós sede,
pessoalmente,
responsáveis por toda a desgraça e maldição e toda culpa cairá sobre vós.

Renegai toda a loucura para que a razão se exalte,
para que se esmague vosso Eu que ainda respira.

Suplantai-vos uns aos outros!
Pois doravante,
o que importa é sua salvação,
vossa própria redenção!

Obedecei servos moribundos!
para que sejais arrebatados e,
num além-mundo qualquer,
possais viver eternamente

Beijai meus pés,
Eu,
o profeta da morte!
privando-vos de vossos corpos e de vossos prazeres,
abdicando da vossa íntima vida

Vós tende culpa sobre tudo que vos regozija,
ou que vos possa fazer preferir o mundo terreno do qual sois fruto

Orai por vossas almas!
Orai por vossos espíritos!
Pelos espíritos e almas feitos de fumaça cintilante,
proles da fantasia em reinos celestes desumanos

Sejais aversivos com tudo que vos pareça mundano,
passageiro tal qual sois vós,
pois isso vos fará adorar os fantasmas parasitas arrebanhadores de mentes,
juntamente com os messias opositores da vida e todas as moscas virulentas!


domingo, 28 de junho de 2009

Do abismo escuro...

Feixe de Prazer

(I) Um nó no meio do fio que impede o fluxo


Um ponto de vontade que reluta em ver-se
imerso no todo que força-o contra o seu anelo
– Poderosamente retumbante!

Golpes de martelo ou panos de veludo não são a lei,
mas fazem-na, delimitam-na, urram-na!

(II) Um tom na aquarela de matizes


Como a dança de notas de uma orquestra,
os incontáveis pontos involuntariamente brotados do que não-se-pensou
sibilam, aprazem-se entre si, para-si, aí!

Esse isso, que se pensa e se engole seco, tal qual a nuvem, que,
por mais que se nomeie, que se prenda, não se fixa aqui, ali, nem acolá!

(III) Binarismo sobrepujado na potência do ser


Horizonte infinitamente plural por cima do zero e um
mastigando a ordem, pisando no progresso, no regresso,
na máxima, e por que não, na mínima

Sem nem sempre fazer o mesmo movimento,
mas gerando quase sem querer forma do todo!

(IV) Beijo de boa-noite n’alma


Na certeza, o eu que se aniquila na marcha no sentido do refluxo,
na labuta que se multiplica num ciclo vicioso, a qual não se quer escapar
e que ao fim já se quer beijar

Bem como a mancha por sobre a manta que vela a santa
o meio no seio do teu meu que se mata aqui, ali, acolá!


terça-feira, 23 de junho de 2009

Und du wirst dich fragen:

Wo ist mein Verstand?

Os sons destoam e entoam
Entram e saem,
Eles contraem meu estômago
Até que se encerre o ânimo
Batem-me contra minha consciência até que desmaie
Fazendo dos sentidos uma nova efígie
Uma esfinge, que finge sorrir
Ante a dúvida, duvida sentir
Olho, penso, anuente
Pergunto: O que? Onde está minha mente?

O chão corre e eu corro atrás
Os matizes fazem-me em paz
O riso vai ouvido adentro,
Invade cada orifício,
Todo nome tem odor
Cada palavra um ardor
Meus pés me impulsionam contra o céu
Sinto como se cada célula fosse revel
Giro, viro e entre dentes
Eu digo: Onde... Onde está minha mente?

Falo do falo
Que adentra o valo
Que enleva a libido
Sussurra ao ouvido
Tudo está perdido, onde não o lioz
Quando se perde a noz
Quando se ata o nó, em dó
Tudo termina em pó, só
Respira, inspira, mente
Na mentira, inquiro: Onde está minha mente?

A juventude sônica produz
A usina de energia conduz
Confusão é sexo, ou não há cachorros
Fuja para o morro, agora eu morro
E caio, de joelhos, a consciência
Dá indecência à demência
Confusão é sublime
Suprime, sem regime
O que no que pode ser o ente
Ainda vago... Onde esta minha mente?

Agora o dia passa e eu me pergunto do que valeu, pergunto por que tudo está tão igual, nada marginal, nada original, tudo de mesmo gosto sem-rosto, esgoto de desejo e ensejo de suicídio da alma, em troca de uma falsa sensação de existir, de um esquecimento no ser-aí da morte de cada dia – Ah! A morte de cada dia nos dai hoje... – do destino de cada instante consciente,
que me faz ser e perguntar: Onde está minha mente?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Fragmentos (I):



Na lágrima que se mistura ao sangue reflete-se,
[a quem quiser ver,
quão frívolo é o prazer evocado do medo

Saciado o desejo, construído como um prédio,
[tijolo a tijolo,
zero passo move ao aconchego

Nos gestos de íntimo horror algumas marcas
[indeléveis
formam uma nova escolha

Ergue-se aí uma flâmula que, tremulante ao
[vento,
fulgura, no centro, a folha

No brilho dos olhos do que outrora foi produto
agora há vida, há sentimentos
Faz-se então o respeito
no peito o ensejo para algo:
– Alegria!
No que parecia não-ser vê-se um outro
Não há para isso, linhas morais que devam separar:
– Cor, gênero, espécie.

terça-feira, 16 de junho de 2009

No olhar perdido, no momento vivido, um novo...

Pathos

Beijo sulforoso que rasga meus lábios,
que sagra minha alma
e confunde minha calma

Beleza nuclear que me faz ruir,
que queima meus olhos
e inunda meus poros

Com um toque que congela,
hálito que desvela
um sentimento novo
que não reconheço em livros, versos ou linhas,
tentando-me a rotulá-lo de amor
com medo de igualá-lo a outro qualquer,
a mais um em uma pilha na estante do meu quarto

sábado, 13 de junho de 2009

Para um dia especial, Pede-se:

Mate-me por favor

Eu sou tudo aquilo que sua família odeia
Sou tudo aquilo que a sociedade não quer
Não tenho medo, nem ódio nas veias
Não hesitarei em fazer o que eu quiser

Meus atos terão marcado meu caráter
Vu andar por caminhos feitos por mim
Pois sou meu próprio destino singular
Não vejo a história por início, meio nem fim

Aceite seu fim trágico, viva o eterno retorno
Não há fundamentos
Não há julgamentos

Se não pode conviver com a dor
Que essa palavras lhe trazem
Um pedido eu lhe faço:
– Mate-me por favor!

Para os seus padrões eu sou frio e cruel
Não ligo para você nem para ninguém
Eu quero poder andar por aí e olhar o céu
Não vou parar, quero ir bem mais além

Seu atos são covardes e ressentidos
Sou muito pior que em seus pesadelos
Você prefere tampar os seus ouvidos
E calar-se diante dos grandes medos

Beba com Dionísio, exale seu desejo
Não há fundamentos
Não há julgamentos

Se não pode conviver com a dor
Que essa palavras lhe trazem
Um pedido eu lhe faço:
– Mate-me por favor!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Em um solo fértil cresce...

Amor Vegetal

I. Introdução ao que vem-a-ser

Sem saber por que in-fortúnio
quiseram os deuses do destino
engendrar tal fecundação aí,
mais do que o simples olhar apreende
causou uma marca no semblante
algo que estava próximo do em-sí.

Muitas palavras ou poucas
não dirão o que se percebera,
mas o véu que esconde
também é o véu que protege,
que instiga, que movimenta,
que queima e alimenta,
que drena, cuspindo de volta
e que no fim, quem sabe? – Mata!

II. A semente (involuntariamente) cravada

Crescendo sobre a pele,
rasgando a epiderme,
a flor que desabrocha,
como uma gota de vida,
nascendo em um coração
quase morto pela solidão,
acometido por uma taquicardia,
congelado pela apatia.

A raiz que penetra na alma
destrói com toda a calma,
o brilho da paixão
cega os olhos da razão,
ofusca o sol e seus raios,
transporta-me do vazio
de uma vida alheia a si
à energia do ex-sistir

III. As raízes (profundamente) arraigadas

Seria mais fácil não lhe ter conhecido,
porém, seria uma vida mais triste,
sem as paixões como tempero,
sem seu olhar violento a afogar-me
como um beijo de esperança,
uma marca no muro da lembrança
numa alma já fria e desanimada,
por todo receio e medo, fechada.

IV. Os efeitos (irremediavelmente) selados

Alastrando-se como erva,
esfacelando o que era,
a rosa de espinhos vis,
com mais um outro bis,
domando um coração,
sereno, em cicatrização,
curando-se da dor
causada pelo último amor.

Maldito fantasma que vem assombrar,
mói a paz que paira no ar,
leva o sentir a mais uma viagem,
mostra-lhe uma nova paisagem
semelhante a tantas já vistas,
mas há algo-aí que irrita,
que move do equilíbrio estabelecido,
um sentimento corrosivo.

V. As pétalas (perigosamente) desabrochadas

O sonho que brilhava nos belos olhos
agora se tornou um pesadelo sem volta,
o que levara o hospede ao paraíso
consome sua energia como um todo agora,
capaz de trazer os piores medos à tona,
embaralha a vista e dopa o pensamento,
gera a vida ao mesmo tempo em que a toma,
infla ilusões enquanto doma o contentamento.

VI. Um fim (comumente) diferente

Confuso e sem visão, a nova vítima
não sabe o que fazer, não sabe a direção,
sem saber em que acreditar se engana,
faz do seu fim a melhor opção,
não há muito que dizer em tal hora,
não há muito de certo e previsível
e, enquanto a vida corre lá fora,
tranca-se em casa o inesquecível.

VII. Conclusão do que desvela-se-aí

Poucas frases ao fim,
para dar definição
entrelinhas do não e sim,
síntese? Conclusão:
Perto da visão e do simples imaginar
as coisas mais perfeitas desintegram-se,
o ídolo se transmuta e sabe brincar,
longe de saber o fim, isso, resume-se:
Amor!





[2]

sábado, 2 de maio de 2009

(None can ever know what this was…)

– No matter what I try to do It’s make me remember you
No matter what’s meaning in your eyes I’ll see hope
I don’t care what anyone can seek say about, I’ll do
I don’t care about anything where I won’t found the dope –

(Just because…)

I’m a depression guy,
I can feel the happiness inside
Going away, being drained
By the grey hopeless

I’m a cursed corpse
Rotting while the rain drops,
A failed on the hang knot,
Withered lily knop

Broken heart love story’s
High level melancholy

This supply my need
For the comfort of the grief,
I’m young but I feel likes I’d lived
Thousand years tortured

I try to cry, I really do,
But tears do never fall to fool,
I’m dead by a feeling so cruel,
I was killed for you

Low level of self glory
Of a failed love story

Sounding me like jazz,
Sometimes the loneliness,
Make me feel full unbend,
Make me see the end

Trading with the Death
For a new chance to take back
To show you all the feeling
That I was locking

Broken heart love story’s
High level melancholy

No way out from me,
No means to cross the sea
Who keeps you on dream
And drive to limb

I’m puking of pain,
In my heart you’re the main
Of the reason makes me sick,
You’re a love trick

Broken heart love story’s
High level melancholy
Low level of self glory
That’s the end of the worry

[1]

terça-feira, 28 de abril de 2009

Atrás do muro caído se esconde...

A Sombra Da Guerra

Podes ouvir as bombas?
Pensas que devo acreditá-los?
Podes ver as tumbas?
Pensas que devo acreditá-los?

Pensas que eles lêem seus poemas?
Podes sentir a humilhação?
Pensas que eles conhecem seus problemas?
Podes perceber a humilhação

Pensas que eles guardam sua alma?
Pensas que devo acreditá-los?
Pensas que eles vêem seu trauma?
Pensas que devo acreditá-los?

Pensas que há felicidade?
Consegues continuar o show?
Podes sentir a liberdade?
Queres continuar o show?

Podes ouvir as gotas de sangue caírem?
Podes ver as manchas que cruzam as nuvens?
Podes deliciar-se com os tiros a zumbirem?
Podes admirar sem que seus olhos se turvem?

Num teatro, o julgamento final
Caras feias e sérias
As marionetes, o julgamento moral
Arrancam as tripas
Olhos cortantes, vis, acusativos
Aviões de sangue pintam o céu
Você é traído, engolido, vomitado
Corvos sobre o cadáver do réu

sábado, 14 de março de 2009

Uma impotência incomensurável! Real? Talvez! Eis a vós...


O Algoz

O tempo que não cala
que não cede
aos caprichos da minha ética
da minha estética

Que se mostra rígido a mim,
mas grão-mutante a seu bel-prazer
Uma imponência incognoscível
a palavras e símbolos do que se vê

É tão transcendente, inerente,
que sufoca o meu regozijo,
que faz vãos meus esforços,
que dispersa e concentra a dor

Sem que possa eu ter controle
sobre minha fúria, sobre meu ser
Um ente perdido em um oceano
de movimento trágico, sem alicerce

Sinto-me girar, não tenho chão
Como algo assustador no porão,
como um monstro habitante
da minha, confusa, mente

O tempo que não fala
que não mede,
mata e deixa morrer
quase por brincadeira

Como um pêndulo que balança
e marca os passos
dita o tempo do tempo,
os medos, os sonhos

Corta o ventre, ou o enche,
derrama o sangue
ou o santifica

Mostra e força os caminhos,
os vinhos e o cálice

Abre e fecha-nos os olhos,
maniata-nos assim
Ccmo servos

Um laço umbilical,
inquebrável, instável,
constante mutante,
fatal, agnóstico,
um espelho do espírito morto,
um desejo, insípido nojo

Progressivo, agressivo,
Circular, voraz,
Estupidamente carismático,
Viciador, embreante,
Um beijo da morte
N’alma falecida
Um corte na face
Da deusa perdida
Uma dúvida eterna
Um retorno vivido
Um contorno perdido
Sujo, luxo, lixo
Sujeito, trejeito, perfeito em si
Sujeitador, suscitador,
Calmante, ladrão,
Ativo, altivo,
Tão passivo nos faz seu filho,
Seu trono, seu eterno
Escravo de barro!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Uma promessa, um laço de sangue...

Sangue & Agulha

Você promete não mentir jamais?
Você se traiu aí, você se matou também.
Você promete me amar para sempre?
Você me traiu, você me matou também.

Você promete beber do sangue
Que me escorre aos lábios?
Você promete entregar-se em todo
Para os que se travestem de sábios?

Não há preço em mim,
Mas, não te apetece me comprar?
Você sente o aroma,
Degusta-o e está fadado a amar!

Prometa que você deixara seus afetos
Numa caixinha quando for pensar.
Prometa não usar o que eu disse
Para poder me convencer a não copiar.

Prometa! Prometa! Prometa!
Você é humano e sei que não vai cumprir.
Engane-me! Iluda-me! Já!
Isso é tão fácil, é-lhe tão natural mentir.

Não há mais volta
Ao passo que você desceu até mim.
Tente como quiser
Mas, serão os tiros o seu fim.

Você me ama e eu te mato.
Nós dançamos, eu te bato,
Você sente o impacto forte.
Eu te enjoo, sou sua morte.

Vamos continuar, não pare,
Você ainda tem fôlego.
Com asas voe alto e mergulhe
De cabeça nesse mar de fogo.

Não há porque fugir de mim
Se você me quer mais que sua vida.
Não há porque eu não te amar,
Você me usa, eu te uso, pura philia.



sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um canto ao encanto,

Em rimas humanas
Beijo a alma da deusa-profana

Parte I: O encontro

Eu também me imaginei num barco
Via as tangerineiras, as flores de celofane
Provei a torta de marshmallow,
Vi o brilho dos diamantes refletidos na fonte

Sentado, sozinho, olhando para o céu
Escutei passos no relvado verde-claro
Olhei para ver o que vinha, e vinha!
– Maldito odor que me veio ao faro!

– Maldita curiosidade que me fez buscar
O frasco do perfume de treze essências
Eu olhei, sozinho, sentado, no barco, no rio
Não havia olhos humanos com suficiência

Tamanha nobreza, não a do mundo real, me era inimaginável, intangível
Senti que ele era capaz de pisar na mão que a apedreja para quebrá-la
Senti que ela seria capaz de escarrar a boca que a beija

Não tinha dúvidas de sua força
Da força de sua alma
Pois essa já havia me feito
De escravo – Ah, minha ama!

Decidi remar para chegar à margem,
Mas os remos pareciam não obedecer
Toda a força de meus músculos era vã
A margem se afastava – Eu a ia perder

Sem saber nadar, atirei-me ao suicídio
Sem ver outra opção, decidi amar
Tudo parecia insuficiente, todo meu esforço
Ela se ia e eu continuaria a me afogar

– Não sei nadar, não sei nadar!
– Não sei amar, eu quero amar!
Após uns poucos suspiros
Ela se foi, senti a vingança em seu olhar

Para onde foi meu desejo de viver?
Não sei, só sei que esta com ela
Ela o levou e junto meu coração,
Lá para as terras do caos e da beleza


Parte II: A promessa!

Eu sei que ressuscitarei do inferno
E irei nem que seja aos céus
Para resgatá-la
Mastigarei o tempo e cuspirei inverno
Sugarei do mais doce ao fel
Para ter as asas

Rasgarei o véu da distancia
Transporei as intemperanças
Amar-te-ei com o vigor
Que um dia tu me odiaste

Sabe, a quem diga que isto é um sonho
Mas, vejamos, o que não é?
Sua certeza do solo que pisa teu pé?
Ha.! Não existe nesse mundo algo mais medonho

Abra teus olhos e acorda, acorda!
Acorda ad infinitum – Isso mesmo!
Pois nunca saberás que sonha
Ou quem não passa de um pensamento

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Um carta...


Em defesa de um língua que não que ser defendida

As rimas ficaram pobres
Ou simplesmente mais simples
Não sei se nos agradecem
Ou se nos entristecem

Terminam todas em “ir”
Em “er” e “or”, no “ar”
Todas na falta do perfeito
Na grandeza do defeito
A esquerda do devir
Na dubiedade do estar

Ah, pobres rimas ricas
Na sarjeta da língua vulgar
Ao léu da fala popular
Estarrecida, esquecida,
Culta, oculta, insulta
Prepotência obstinada

Não mais irei
Eu vou ir
Não mais sorrirei
Eu vou sorrir
E tu? Tu não existirás mais
Você vai existir

Estes problemas
Viram esses, esse,
Ou aquele, não sei
Não sei se isso a entristece
Ou se isso alegra ela

Talvez estejamos – não, estejamos não

Talvez a gente esteja lutando em uma batalha vencida
Talvez em prol de uma causa perdida
Talvez, talvez, mais uma vez...
Em defesa de um língua que não que ser defendida

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Na companhia de...

Eu e somente eu

A solidão é meu único verdadeiro amor
E tanta paixão dilacera minha carne
Pouco a pouco o desabrochar da dor
A repentina traição da própria mente

Sorte no jogo azar no amor
E se o amor for um jogo?
Não sobram muitas diferenças
Entre o belo e o lodo
Só resta o eterno retorno
Um instantâneo consolo



Com o sentimento de poder como guia
E o que de tão belo parece artificial
E o que é, brinca de ser faz-de-conta
E a mais pura fantasia se confunde com o real

Minha maldição sem fim é amar sem jamais
Ser capaz de saber como fazer-lo
Um instante se move e se retorce
O continuo contorcionismo do desespero

A sensação mais obscena entra em cena
Todo o medo se esvai no vem e vai
De uma confusão sutil que se repete
Na convulsão da mente que se trai

Sorte no jogo azar no amor
E se o amor for um jogo?
Não sobram muitas chances
Pra se sair do posso de piche
Só resta o eterno fetiche
De um decrépito Liche