sábado, 14 de março de 2009

Uma impotência incomensurável! Real? Talvez! Eis a vós...


O Algoz

O tempo que não cala
que não cede
aos caprichos da minha ética
da minha estética

Que se mostra rígido a mim,
mas grão-mutante a seu bel-prazer
Uma imponência incognoscível
a palavras e símbolos do que se vê

É tão transcendente, inerente,
que sufoca o meu regozijo,
que faz vãos meus esforços,
que dispersa e concentra a dor

Sem que possa eu ter controle
sobre minha fúria, sobre meu ser
Um ente perdido em um oceano
de movimento trágico, sem alicerce

Sinto-me girar, não tenho chão
Como algo assustador no porão,
como um monstro habitante
da minha, confusa, mente

O tempo que não fala
que não mede,
mata e deixa morrer
quase por brincadeira

Como um pêndulo que balança
e marca os passos
dita o tempo do tempo,
os medos, os sonhos

Corta o ventre, ou o enche,
derrama o sangue
ou o santifica

Mostra e força os caminhos,
os vinhos e o cálice

Abre e fecha-nos os olhos,
maniata-nos assim
Ccmo servos

Um laço umbilical,
inquebrável, instável,
constante mutante,
fatal, agnóstico,
um espelho do espírito morto,
um desejo, insípido nojo

Progressivo, agressivo,
Circular, voraz,
Estupidamente carismático,
Viciador, embreante,
Um beijo da morte
N’alma falecida
Um corte na face
Da deusa perdida
Uma dúvida eterna
Um retorno vivido
Um contorno perdido
Sujo, luxo, lixo
Sujeito, trejeito, perfeito em si
Sujeitador, suscitador,
Calmante, ladrão,
Ativo, altivo,
Tão passivo nos faz seu filho,
Seu trono, seu eterno
Escravo de barro!