terça-feira, 30 de junho de 2009

Humanos de todas as cores e de todas as terras uni-vos e ouvi:

Máximas aos rebanhos, servos e ressentidos


Odiai-vos uns aos outros!
Pois só assim proliferarão
a crença de punições vinda das estrelas,
dos céus inumanos

Obedecei cordeiros infiéis!
Mesmo que isto custe vossas vidas,
pois sereis recompensados com promessas inauditas.

Vós sede,
pessoalmente,
responsáveis por toda a desgraça e maldição e toda culpa cairá sobre vós.

Renegai toda a loucura para que a razão se exalte,
para que se esmague vosso Eu que ainda respira.

Suplantai-vos uns aos outros!
Pois doravante,
o que importa é sua salvação,
vossa própria redenção!

Obedecei servos moribundos!
para que sejais arrebatados e,
num além-mundo qualquer,
possais viver eternamente

Beijai meus pés,
Eu,
o profeta da morte!
privando-vos de vossos corpos e de vossos prazeres,
abdicando da vossa íntima vida

Vós tende culpa sobre tudo que vos regozija,
ou que vos possa fazer preferir o mundo terreno do qual sois fruto

Orai por vossas almas!
Orai por vossos espíritos!
Pelos espíritos e almas feitos de fumaça cintilante,
proles da fantasia em reinos celestes desumanos

Sejais aversivos com tudo que vos pareça mundano,
passageiro tal qual sois vós,
pois isso vos fará adorar os fantasmas parasitas arrebanhadores de mentes,
juntamente com os messias opositores da vida e todas as moscas virulentas!


domingo, 28 de junho de 2009

Do abismo escuro...

Feixe de Prazer

(I) Um nó no meio do fio que impede o fluxo


Um ponto de vontade que reluta em ver-se
imerso no todo que força-o contra o seu anelo
– Poderosamente retumbante!

Golpes de martelo ou panos de veludo não são a lei,
mas fazem-na, delimitam-na, urram-na!

(II) Um tom na aquarela de matizes


Como a dança de notas de uma orquestra,
os incontáveis pontos involuntariamente brotados do que não-se-pensou
sibilam, aprazem-se entre si, para-si, aí!

Esse isso, que se pensa e se engole seco, tal qual a nuvem, que,
por mais que se nomeie, que se prenda, não se fixa aqui, ali, nem acolá!

(III) Binarismo sobrepujado na potência do ser


Horizonte infinitamente plural por cima do zero e um
mastigando a ordem, pisando no progresso, no regresso,
na máxima, e por que não, na mínima

Sem nem sempre fazer o mesmo movimento,
mas gerando quase sem querer forma do todo!

(IV) Beijo de boa-noite n’alma


Na certeza, o eu que se aniquila na marcha no sentido do refluxo,
na labuta que se multiplica num ciclo vicioso, a qual não se quer escapar
e que ao fim já se quer beijar

Bem como a mancha por sobre a manta que vela a santa
o meio no seio do teu meu que se mata aqui, ali, acolá!


terça-feira, 23 de junho de 2009

Und du wirst dich fragen:

Wo ist mein Verstand?

Os sons destoam e entoam
Entram e saem,
Eles contraem meu estômago
Até que se encerre o ânimo
Batem-me contra minha consciência até que desmaie
Fazendo dos sentidos uma nova efígie
Uma esfinge, que finge sorrir
Ante a dúvida, duvida sentir
Olho, penso, anuente
Pergunto: O que? Onde está minha mente?

O chão corre e eu corro atrás
Os matizes fazem-me em paz
O riso vai ouvido adentro,
Invade cada orifício,
Todo nome tem odor
Cada palavra um ardor
Meus pés me impulsionam contra o céu
Sinto como se cada célula fosse revel
Giro, viro e entre dentes
Eu digo: Onde... Onde está minha mente?

Falo do falo
Que adentra o valo
Que enleva a libido
Sussurra ao ouvido
Tudo está perdido, onde não o lioz
Quando se perde a noz
Quando se ata o nó, em dó
Tudo termina em pó, só
Respira, inspira, mente
Na mentira, inquiro: Onde está minha mente?

A juventude sônica produz
A usina de energia conduz
Confusão é sexo, ou não há cachorros
Fuja para o morro, agora eu morro
E caio, de joelhos, a consciência
Dá indecência à demência
Confusão é sublime
Suprime, sem regime
O que no que pode ser o ente
Ainda vago... Onde esta minha mente?

Agora o dia passa e eu me pergunto do que valeu, pergunto por que tudo está tão igual, nada marginal, nada original, tudo de mesmo gosto sem-rosto, esgoto de desejo e ensejo de suicídio da alma, em troca de uma falsa sensação de existir, de um esquecimento no ser-aí da morte de cada dia – Ah! A morte de cada dia nos dai hoje... – do destino de cada instante consciente,
que me faz ser e perguntar: Onde está minha mente?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Fragmentos (I):



Na lágrima que se mistura ao sangue reflete-se,
[a quem quiser ver,
quão frívolo é o prazer evocado do medo

Saciado o desejo, construído como um prédio,
[tijolo a tijolo,
zero passo move ao aconchego

Nos gestos de íntimo horror algumas marcas
[indeléveis
formam uma nova escolha

Ergue-se aí uma flâmula que, tremulante ao
[vento,
fulgura, no centro, a folha

No brilho dos olhos do que outrora foi produto
agora há vida, há sentimentos
Faz-se então o respeito
no peito o ensejo para algo:
– Alegria!
No que parecia não-ser vê-se um outro
Não há para isso, linhas morais que devam separar:
– Cor, gênero, espécie.

terça-feira, 16 de junho de 2009

No olhar perdido, no momento vivido, um novo...

Pathos

Beijo sulforoso que rasga meus lábios,
que sagra minha alma
e confunde minha calma

Beleza nuclear que me faz ruir,
que queima meus olhos
e inunda meus poros

Com um toque que congela,
hálito que desvela
um sentimento novo
que não reconheço em livros, versos ou linhas,
tentando-me a rotulá-lo de amor
com medo de igualá-lo a outro qualquer,
a mais um em uma pilha na estante do meu quarto

sábado, 13 de junho de 2009

Para um dia especial, Pede-se:

Mate-me por favor

Eu sou tudo aquilo que sua família odeia
Sou tudo aquilo que a sociedade não quer
Não tenho medo, nem ódio nas veias
Não hesitarei em fazer o que eu quiser

Meus atos terão marcado meu caráter
Vu andar por caminhos feitos por mim
Pois sou meu próprio destino singular
Não vejo a história por início, meio nem fim

Aceite seu fim trágico, viva o eterno retorno
Não há fundamentos
Não há julgamentos

Se não pode conviver com a dor
Que essa palavras lhe trazem
Um pedido eu lhe faço:
– Mate-me por favor!

Para os seus padrões eu sou frio e cruel
Não ligo para você nem para ninguém
Eu quero poder andar por aí e olhar o céu
Não vou parar, quero ir bem mais além

Seu atos são covardes e ressentidos
Sou muito pior que em seus pesadelos
Você prefere tampar os seus ouvidos
E calar-se diante dos grandes medos

Beba com Dionísio, exale seu desejo
Não há fundamentos
Não há julgamentos

Se não pode conviver com a dor
Que essa palavras lhe trazem
Um pedido eu lhe faço:
– Mate-me por favor!