quinta-feira, 30 de julho de 2009

Entre epopéias, o conto de um...

Anjo de asas frágeis


Quem dera que minhas asas estivessem fortes o suficiente para poder, eu, voar até teu encontro
Ao menos uma vez
Mergulhar em teu colo aconchegante e nele descansar minhas angústias e sonos
Conturbados
Pesadelos que cercam minhas noites e atordoam meus pensamentos sobre o que sinto
No meu cerne
O desejo pelo solo cresce, mas por um solo que não seja pantanoso como o que sempre pisei
Por tantos anos
Passei sem ter porquê usar minhas asas e agora que as preciso tanto, atrofiadas, não me servem
Nem para cobrir-me do frio
Nem para proteger-me do terror
Nem para confortar minha solidão
Quem me dera que minhas asas estivessem vivazes como meu anelo por teu encontro
Para que, sem delongas, pudesse realizar o abraço, em novas paragens
Entre Hermes, Afrodite e o anjo de asas frágeis

domingo, 26 de julho de 2009

Esboço angustiado...

Sobre um sonho, ou outra coisa lasciva





















Luzes baixas
Visão turva
Clima aconchegante
Experiência nova

Cheiro doce
Música inebriante
Boa companhia
Cadeira elegante

A noite esvai-se
O tempo flui
Aumenta o prazer
O desejo sorri

Mais uma noite aqui de regozijo
Um beijo na boca do desejo
Nesse novo devir eu te abraço,
mas você me consome nesse laço

Quando percebo
não há mais aquilo que vi,
nada diferente,
Nem em mim, nem em si

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Self-service of...


Test Meat


Não olhe para trás,
pois há pouco que se possa fazer agora
Toda sua raiva,
em poucos palavras
um urro intenso,
um murro denso

Continue a marchar,
esqueça o que se passa ao redor
Toda a explosão
amargurando seu paladar
expurgando o imerso
enxugando o inverso





Uma bela boneca em uma vitrine
ou um modelo que se exibe
em qualquer esquina, por qualquer preço
– A qualquer preço!

Um carne de teste, sem mais interior,
um bolo de algo amorfo insípido, inodor
que traz a suspeita do fim vazio
– Do fim frio!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Em tons confusos:

Um canto d'Alma

O brilho do teu sorriso
é como catarata
que cega teus olhos a mim

Um apreço mais que amigo
faz-me falta
de quem me é afim

Simpatia que tu esboças
deixa mais confuso
quem já firme não se sente

Mesmo quando (fortemente) negas
faz-me esperançoso
ao balançar dos cachos sobre tua face sorridente
















[4]

domingo, 12 de julho de 2009

Um cântico sobre...

Um dia qualquer no inferno

Nessa terra de cegos
Por vezes fui concertado
Anjos caídos, deuses falecidos
Cadáveres surdos-mudos

Fica-se distante dos próprios atos
Pensamentos que nunca foram testados

Vejo meu eu morrer a cada dia
Mas guardo e aguardo os fantasmas

As cicatrizes dos sentimentos profundos
Das batalhas de pólos incertos

Nessa vida sem sentido
De corações feridos
O ouro compra tudo,
Das angústias aos direitos

Os dias passam deixando marcado
O tédio nos lábios – Calados!

Vejo nos olhos canibalismo humano
Todo o ódio desse mundo imundo

A autodestruição das mentes
Enforcando-se com as correntes

Exército de cérebros mortos
Valores e desejos vãos
Energia que se gasta
Sem qualquer paixão

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Apenas um texto:

Um escrito em homenagem
àqueles que foram mais
do que simples amigos...


Plus Ultra


Abra os olhos e veja mais além,
Pense por si mesmo e não se compare a ninguém

De mais um passo transpondo o passado
Não seja mais um super-algo do que foi deixado

Assassine ou faça viver
Mas não se deixe sufocar
Não ligue para o que dizem
Deixe sua vontade aflorar

Crie seu amanhã fazendo a vida valer
Não quem esperar nem o que temer

Gere ilusões, faça seu destino
Não ouça outras vozes, cante seu próprio hino

Olhe ao redor e veja
Você pode ir mais além
Olhe pra si mesmo
Faça por você ou faça por ninguém

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Em poucas linhas...

Uma Carta de Partida

Com a esperança, de quem veleja por entre as nuvens,
de encontrar em algures um mundo novo
Enchendo os olhos na partida, mas, ansioso pela chegada
e sem remorsos do que cativo deixa, em busca do encontro
de novas experiências, novos aromas,
visões diferentes, inconsequentemente movendo-se ao desconhecido;
em tantos sonhos já contemplado.

Ébrio com tal encanto
a cada dia que passa
confundo mais a batida do coração
com teus passos.



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fragmentos (II):

“Eu seria hoje o ser mais feliz do mundo, mais feliz que os desuses da Alegria, do Sorriso e do Gozo juntos! Ouve: Eutychia seria mera mortal perto de mim!
Se tu, nem que por um instantinho, olhaste e disseste: ‘Eu vi, eu li, gostei. Isso aqui, que meus olhos beijam, me agrada’.
Eu sei que com isso traio e crio um embuste a mim mesmo, mas abro meu peito para dizer-te o que sinto, ainda que tu hajas de jamais deixar em teu semblante refletir-se estas páginas.”








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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Para recomeçar...

Aproveitando-me do ensejo deixado pelo início de um novo semestre e após esse tempo por sobre as redes virtuais, vale-me fazer uma nova apresentação.
Já, após tantas transmutações, o garoto inocente – ou nem tanto – não sorri nem chora diante das mesmas coisas. Doravante, certo viver, fez um novo eu se erguer, então apresento-lhes-me:
Sou um cavaleiro, ainda um mancebo medrançoso, errante e solitário, caminhando por infinitos horizontes finitos, incontáveis e desvanecedor ao vaticínio alheio.
Em constantes duelos em busca da satisfação interna, que fortalece o casamento entre a solidão introvertida e a espontaneidade criativa do âmago desejoso de vida, de dúvida e do mais-além.
Onde o dragão a matar é o egoísmo coletivo, que anula a individualidade de um ente ofegante, nostálgico, sufocado, mas ávido pelo novo.
Onde a princesa a salvar é o regozijo pessoal, em que de gênero nada voga, mas que de individual arraiga-se fixado até à medula.
Sem medo do que possa ouvir, amando o que possa ir ou vir a ser o meu eu, sem jamais cair de joelhos no solo já ressequido da modernidade suicida, racional e cega de fé nos limites do homem, com sendo limites do todo.
Amando em ti o que não vejo em mim, mas que também não expurguei daqui.
Amando em mim tudo que me agrada deveras, transformando em minhas entranhas, o que a ti possa parecer vício, erro, mal e vil, em minhas virtudes mais próprias, mais íntimas, das quais altivo não me envergonho, para além, bato o pé frente ao teu confronto com minha teimosia vivaz!
De antemão aviso-te, meu egoísmo não é o tal dos vermes sedentos por morte e qualquer latão luzidio, pelo contrario, engulo restolhos para cuspi-los como exuberantíssima flor!
Canto meus próprios hinos, que sobrepõem os cânticos balidos pelos rebanhos, para que estes não ensurdeçam meus ouvidos, não ceguem meus olhos, nem acorrentem minha mente às velhas verdades extra-mundanas já falidas.