segunda-feira, 19 de julho de 2010

Num joguete noctâmbulo:

Vozes vestiginais de vontades volúveis & virgulas vibrantes

Vacância aos que se põem em constante trabalho das dubiedades
Ventura aos que se aventuram para além das duas verdades
Vigor & vitória aos que não se deixaram vencer pelos versos vendidos
Voracidade aos olharam por detrás & para o fundo dos olhos escondidos
Vultuosidade de alma nos enfrentamentos que o caminho traz!

Valentia nos braços e línguas dos que não se deixam dobrar
Veemência ao brado destes que não se deixam morrer sem amar
Virtudes & viço em cada suspiro dos que gracejam da eternidade
Volubilidade nos corpos guerreiros dos que se prostram à verossimilidade
Vulneradores sejam os golpes das espadas contra a dita paz!


sexta-feira, 16 de julho de 2010

Em rimas pobres,

O cobre arrimas


O que ata consome
O que não some mata

Fato ao paladar
Dar ao olfato

O que é não há
E há o que não é

Bebe do que escorre
E corre do que sede

A sede do viver
Em reviver a sede

O que fica não vê
O que prevê bestifica

Esquisito é o ser
Esquecer o requisito

Conversa em prosa
Prostra a inversa

Versa e também prova
Reprova e vice-versa

Não há tato para o teto
Há arquiteto para o contato

Fala-se aqui e ali
Embala-se Dali em croqui

Quem quer o que?
Veste o teste deste?
Leste este apreste?
Que queres quê?

Respiras o aroma
E Roma espirras

Exalas as várias faces
Em disfarces exilas

Medos em pequenos potes
Em lotes de arremedos

Cansativo em diálogo
Análogo para tal altivo

Num fim comum
Dum afim desjejum

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Violinos, violência & luxúria;

Som & fúria

Tome mais um copo de ódio, satisfazendo seu desejo de sangue
Enterre-se até o pescoço na suja e densa lama do mangue

Quem sabe mais um gole de medo para o seu desejo insano
Aspire o narcótico ar impuro de um mundo imundo e humano

Mais um drink de algo estranho para acalmar suas anomalias?
Quem sabe algum chá sonoro para apaziguar suas angústias

Banhe-se no desespero do desconhecimento do futuro
Embriague-se no pânico ao se ver mergulhar no escuro

Menos uma vida,
Mais uma vida,
Menos uma vida aqui,
Mais uma vida ali,
Menos uma vida ,
Só uma vida!?

Sinta a faca cortar,
Sinta a verdade morder,
Sinta o ferro marcar,
Sinta abrasa queimar,
Sinta o sangue ferver,
Sinta-se morrer!


terça-feira, 6 de julho de 2010

Aos corações cegos:

Diferente repetição – de palavras & tons

Voando contra o muro, sentindo os tijolos acertarem minha face
Voando contra o mundo, esperando que o tempo me amasse

Voando contra o espelho, batendo meu ego contra o me escarnece
Voando contra o medo, abrindo o peito à verdade que me arrefece

Abrindo as asas
Deixando a mente fluir montanha acima
Rumo ao cimo
Rumo aos sonhos que guardo no peito
Ao som do sino
No labor que chacina a certeza & a sina
Assassino das brasas
Que ergue os punhos & marca seu feito

No aborto
No vômito
No frasco
Um líquido biliar azul que escreve o irrealizado

No móvito
No golfo
No cristal
Um Eu que vive & pulsa, que ama & repulsa