sábado, 15 de janeiro de 2011

C'est la modernité:

Main-d'œuvre esclave et le sueur de la plante comme les parfums

& se teus braços não mais são de carne
& se tu não eis mais um todo – eis fragmento
& se a tua miséria lhe é dada como encarne
& se tua vida lhe é consumida a cada momento

É porque estais na modernidade

& se não te pertence o fruto do teu labor
& se não te parece tua autonomia o sumo
& se já podes até mesmo comprar amor
& se teus desejos são objetos de consumo

É porque compartilhas minha realidade

& se não há mais revolta contra a fome
& se não importa que se morra de fome
& se há censura ao pensares em quem passa fome
& se só a humilhação pode saciar tua fome

É porque estais no Capitalismo

& se não mais podes criar nova singularidade
& se não há coisa que não possa ser vendida
& se tens de adequar-te a uma identidade
& se tudo é incluído ao consumo, sem saída

É porque o que te cerca é consumismo

& se tu hierarquizaste todo o teu ser
& se tu compras até mesmo teus valores
& se te tornastes fragmentos irreconciliáveis
& se o suor escravo é tão perfume quanto as flores

É porque estais na nossa bela modernidade

& se tua resistência sofre um processo fagocitário
& se tudo isto de algum passa a te perturbar
É porque meu tormento não é solitário
É porque sofres do mesmo mal-estar

Um comentário:

André Procópio disse...

isso pode virar música!