segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ruína


Durrra

Dura um dia mais,
Dura feito erre,
Antes que o tempo a enterre

Feita de tantos erres
É tão dura que não sai,
Não verga – quebra e cai!


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Com vulcão..


Convulsão

o tempo todo em casa
fora da casinha
como que descomposto
posto em vida minha
sem asa
sem linha
sem ter amanhã



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um...


Canto...

Choro no canto,
Canto em coro...
Entre quatro paredes,
Aos poucos, morro...

Desço e saio,
De soslaio
Porta a fora
Porta a dentro

Ensoo ao chão
Que soco:
"Um pouco de possível,
Senão sufoco"

E no canto
O encanto dos vértices
Que vertem fonte de ser

Não mais maritalmente,
Não mais separação:
Corpo/mente,
Cérebro/coração...

Do canto verte
Desejo-verve:
Atilílica revolução!



αντίσταση (antístasi̱):


W

O tântrico refrão
De auto-felação:
Ohm... Ohm... Ohm...




21:

Pós-lamentos poéticos

Pena de urubu,
Asa de galinha,
Oh vida,
Oh vida minha!



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quinta nota, quinta-feita...


No quintal de Quintana

Por todo lado
               Um exército
                      E eu... o deserto


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Do anfiteatro, uma gárgula:

C19H28O2 = ,
Ou
Dos cultos religantes e desligantes

Testosterona sobeja
No culto de igreja
E nas religiões do original
Abunda o abissal
Donde transborda o viril,
Como tênue fio,
Que o atravessa, vital



terça-feira, 17 de julho de 2012

Um quase-soneto IX:


Sr. Soi & o Viril

Aquilo sem aquele,
Aquiles e sua glória:
Com um risco, comum riço,
Como um riso de vitória

Apropriedade animal,
Fascinante feito força sagital
Que rompe o corpo - Normal

Que é desejo e não apenas um querer
Que não cabe a um corpo qualquer,
Que não sabe bem a qualquer um,
Mas que apraz os espíritos que vivem - Infectum

Força que dança como essa - utopia,
Franqueia quem quer com alegria
Desejo de perpétuo - Revolucionar,
O grande amor: l'amour nomade



sábado, 7 de julho de 2012

Peso das promessas

Traurigen morgen

O que faço eu
Frente uma bifurcação
Que, seja o lado que for,
Vai ferir-me o coração?

O que faço eu
Quando o desejo de galgar
É a iminência dum conflito
Difícil de pesar?

Que faço eu
Nesse coliseu
De sentimentos a se digladiar?

Que faço de mim
Nesse triste enfim,
Que a ora há de chegar?

Sinto o peso das promessas.
Mais dia menos dia, essas
Haviam de me matar...

Escolha difícil à beça:
Revolucionar o coração!?
Amar como nômade,
Ou... não!?


Um quase-soneto VIII:


Sr. Soi & a meia-altura

À meia altura
Não há amargura
Que não acompanhe candura,
Não há água mole e pura
Que não bate em suja pedra dura,
Não há noite sem alvura,
Não há nós sem costura,
Não há coragem sem paúra,
Nem força que da morte assegura.
Pois vida que é vida,
À meia altura,
É a de quem duvida
Da verdade bipartida...


Anti-receita II


Perpétua vivisseção:
Um olhar desconfiado,
Um outro meio desarmado,
Um pé cabeça e outro pé no chão.


Anti-receita I


Auto-superação:
Um pingo de arrogância
Alguns centímetros de ânsia
& muito, mas muito desejo de revolução.



domingo, 1 de julho de 2012

Um quase-soneto VII:

Sr. Soi, o dever & o poder

O dever,
Um ser ancestral.
O poder,
Um animal.

Os deveres
Soam morais.
Os poderes
Algo mais.

"Tudo podes, nada deves - jamais!"
Picham nos muros da história,
Nos limites da glória,
Os corações livres
& os espíritos leves



sexta-feira, 29 de junho de 2012

+ que um beijo

Desejo

"É difícil governar o que lhe escapa"
A frase me veio como um tapa!

Que eu não me escape mais de mim,
Que meu presente seja meu presente,
Que teu presente seja, enfim,
Mais que uma bela embalagem inolente.








[Um sampler de vários lobos]

Solitária mamba...


Corda bamba

Odeio seguir alguém,
Odeio ser seguido também
A mim já me basta o desafio
De conduzir a mim sobre o tênue fio:
Existir sem sufocar,
Enlouquecer sem pirar,
Estar sóbrio ao me embriagar.




quarta-feira, 27 de junho de 2012

Velhos versos finais, ao vento:


Cinco estrofes, cinco esquifes & um alento


I - Introdução em versos...

Da morte da poesia
Da domesticação do poeta
Dos suspiros que um dia
Foram palavras-seta!

II - Embotamento da poesia

A poesia se foi
Perdeu sua pulsão
Onanista, criativa, criminosa,
Sodomita, ativa, incestuosa...
A poesia se foi,
Não mais é sedição.

III - O poeta piedoso

O poeta,
Dum caçador de signos-selvagens,
Pedófilo de verdades-clandestinas,
Não passa, agora, dum pífio anacoreta
Repetidor de alegres bobagens,
Jogado às esquinas.

IV - O crime & a poesia

O crime não compensa, se aponta?
Menos ainda, digo eu, a poesia,
Pois, se algo o crime afronta,
Nos versos a afronta queda vazia.

V - A morte da poesia

Se então a poesia morreu,
Seu cadáver, insepulto, reclama.
Reclama um enterro digno ao seu corpo de lama.
A quem aos últimos suspiros do cadáver recorre
Ouve o ar vacilar e eliciar:
— O Caos nunca morre!




segunda-feira, 18 de junho de 2012

Naco de ventura


Da cultura

Não só a formiga cultiva a terra,
Também o faz aquele que erra.
O beduíno não cultua terra alguma
Para que solo algum o consuma.

Nenhuma terra lhe pertence
E só pertence a um chão,
O chão em que seus pés pisam
E o atrito que ele vence

Nômade também cultiva a terra,
Na medida em que por ela é cultivado
Pois, não se põem acima dela,
Estando, ambos, lado a lado

E nessa relação cultural
Ninguém = ninguém
Ninguém comanda ninguém
Sem relação cultual
Ninguém para sempre cultiva.
Cultiva para cada instante
Um intenso montante
Como se este fosse o último,
Como se ele fosse único...



Mais e mais...


Versos, provavelmente, imorais

Uns chamaram de Deus o acaso,
N'alma deram-lhe um lar
& encheram-no de intencionalidades,
Mas tudo tem seu ocaso
& agora, em seu lugar,
Quedam as tais probabilidades.



terça-feira, 5 de junho de 2012

Um quase-soneto VI:

Sr. Soi & o Meio

No meio do caminho há uma pedra.
No meio do caminho: um rei.
A meio caminho de Passárgada
Abrigar meus inimigos irei.

Na terra das tais palmeiras,
Onde também há uma pedra
No meio do caminho, tenho de brigar
Pois, medo em mim não medra.

Rio dos reis
De qualquer ponta
E de suas fartas leis.
A mim pouco importa,
Pois o risco bate à porta.




[uma experiência sampler]

terça-feira, 29 de maio de 2012

मंत्र

Mantra

Amar,
Amar, Amar,
Amar Amar Amar
Amar amar amar amar
Amaramaramaramaramar...

                                                     ... É doido!


[assim entoou-me mestre Prakanda]


quarta-feira, 16 de maio de 2012

La fin de la trilogie:


Pourquoi 3

Por que o que em silêncio começou,
Agora, deve em palavras ter seu fim?
Por que não bastam os olhares, ou
O cheiro de que é ora de voltar ao torvelim?


terça-feira, 15 de maio de 2012

Eco-


Apocalipse

O mundo não vai acabar,
Acabamos nós antes do mundo
– e conosco se vai o mundo, humano
Demasiado mundano...


segunda-feira, 14 de maio de 2012

C'est pour tu


Mes Loups fous

Peut-être, un jour elle va entendre
Les hurlements des loups fous et dérangés.
Et, vrement, comme jamais auparavant,
L'unique sera autre, sera multiplé.


Avec moi, nous chantons...


Une autre expérimentation:

Oh merde! Ma mère!
Il est inacheveé!
Le plaisir de la chair
N'est pas fermé.

Le souci de soi
Ne peut pas être complété.
C'est œuvre, mon amour, à savoir:
L'existence coupé et dérivé.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Com coração, eu diria:


Da poesia como flor,
Do olhar como algo mais

Não há nada de mais numa poesia.
Não há complexidade, nem erudição.
Ela é simples em demasia,
Como uma flor e seu botão.

Difícil é admirar a beleza, eu diria,
Quando se usa os velhos olhos de cão.
Não é preciso, todavia,
Microscópio, basta o coração...


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Poderia ser uma prosa...


Versos momentâneos

Um momento ao vento,
Um evento lento,
Mas letal.

Desce a garganta – dilacera –,
Corre nas vísceras
& Faz animal.

Palpita o peito
Feito ponta de faca
Que, afiada na língua,
Mata, mata, mata!

& assim terminaria
O que ser uma prosa poderia,
Tanto da vida dum "peão"
Quanto de qualquer outro cidadão,
Até mesmo dum "dr. da academia".


Um momento ao vento:


Evento Limítrofe

No limite: segurança,
e-feita(o) de medo
No limite: semelhança,
e-feita(o) do mesmo

Numa noite vazia
Embebido em afasia,
Seguro-me no parapeito,
Com ardor no peito,
Pesando o sunto
Eu pergunto
Se haveria outro alento
Que largar-me
& lançar-me,
Ao vento...

Uma monotal canção:


Olhos de cão

A veracidade
Ao ver da cidade
É mais colorida que se crê.
Mas de que adianta mil cores,
Quando com olhos de cão se vê?


Alguns versos sobre...


Nós da cidade

Uma quarta dimensão ou uma dimensão incomensurável,
A da alma que desliza com um sentimento inominável
Sobre um plano liso: sem planos & sem projetos.
Como dança dos mortos, como intensidades de trajetos
Torce a cidade – a necessidade do concreto –
Para viajar, curvar & dobrar aquilo que é reto:
Nós!


Sobre os muros:


Danças & impuros

Imperfeitas dissimetrias
De luzes, sombras & linhas.
Feito estrias
Riscam-lhe as espinhas,
Cortam-lhe as pernas,
Feito arte moderna...
Feito desastre moderno,
Feito bolha de sabão,
Sem perceber o inverno
Mantém-se um eterno verão,
Pois ninguém verá
Dançarmos no Sabbath.
"...être bleu..."

Nada muito novo para quem vive no escuro:



Os muros

Os muros...
Tão mais duros
Quanto mais insensíveis
Tão mais intransponíveis
Quanto mais invisíveis
Tão mais sem furos
Seriam esses muros?




Entre paredes & parenteses:


Lamentos
ou Dois cantos

Canto I

Ai de mim, ai de mim!
O que pensei me liberar
Agora me faz presa.
& preso a essa terra
Imensa é a pobreza
De perpetuar essa guerra,
Imensa é a proeza
De sobreviver assim.
Ai de mim, ai de mim!
Ai triste sem fim,
Ai de mim!

Canto II

Por que insisto?
Por que não digo
Até logo mais?
Que armadilha criei a mim
Ai de mim, ai de mim!
Meu belo encanto
Encurralou-me num canto
Donde não saio mais
Ai de mim, ai de mim!
Por que insisto em viver assim?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

L'expérimentation: Avec moi...


Pourquoi

Por que procrastinar o começo?
Por que prolongar o fim?
Se o meio é inevitável berço
Duma velocidade sem fim?



L'expérimentation:


Pourquoi 2

Pourquoi
Mourais tu,
Solitude,
Avec moi?

Pourquoi
Meurt tou(t),
Solitude,
Avec moi?


terça-feira, 17 de abril de 2012

Difíceis peripécias dum...


Coração nômade

Ah, como é difícil
Abandonar todo um edifício
Construído tão sozinho!

Ah, como é dolorido
Apagar todo um colorido
Para pintar outro caminho!

Ah, como é duro
Arrancar no sólido escuro
As raízes do azevinho!

Ah, amor que não quer deixar
A deixa, que não quer chegar,
Deixa ir esse canarinho!

Pois, coração nômade não faz ninho...


Sou escombro e ruína...



Da Verdade Clandestina


E aquelas palavras não eram palavras quaisquer,
Não eram para qualquer pessoa,
Não eram calmaria, feito lagoa.
Eram como um mar:
Batendo contras pedras, fazendo se arrebentar
Tudo aquilo que seguro e firme estiver,
E assim pretender ficar.
Como um lobo selvagem,
Como um ladrão na surdina,
Não por falta de coragem,
Mas por ser uma verdade, uma Verdade Clandestina...


Quase um romance russo:


O tanso

"Me lanço
Ou descanso?"
De perguntar não me canso,
Mas manso,
Aquieto o ranço
E aquento o pianço
De quem morrerá tanso.


Banhando no lodo do...


O engodo

Cri-me fora desse lugar,
Mas esse lugar jamais havia me abandonado.
Diferente do que se pode pensar,
Um treino desses dificilmente sairá do seu lado.

E as portas que vi(vi)
Eram mais de entrada que de saída.
Fui entrando e me esqueci
De como são as coisas, de como é a vida...



Assino a sina:


Morrer todo dia

Viver me mata,
Mata, também, a rotina,
Mata a ingrata
Repetição da sina:
Morrer todo dia


terça-feira, 3 de abril de 2012

Um manifesto

Da poesia-transgressão (à poesia-cortesã)


O que outrora foi faca no coração do rei,
Foi flecha no joelho dum cavaleiro,
Hoje é signo de doutos, legem Dei,
Linhas de cristalização do náufrago veleiro...

O que outrora foi espada de lâmina afiada
Foi aríete como máquina de irrupção,
Hoje ara a terra, enseja a fixa morada.
Dessa feita, onde está a poesia-transgressão?

"No casamento, o Didi
teve lua-de-fel:
A noiva era um travesti
tipo gilete, e cruel!"

"Foi o ancião pedir milagra
ao Bispo de Iguaçu.
Chegou lá de pica mole,
voltou com tesão no cu..."

"Meu cu tem tanto cabelo
que até parece papoula.
Por mias que evite fazê-lo,
suja de merda a ceroula."

Não se trata do cenário escatológico
Nem sequer da palavra chula,
Mas do perigo ontológico,
Do incômodo ético que a trova inocula

A verdade a ver navios
Jamais verá outra vez
Os portos & os rios
Com certeza com que fez

Enquanto carregou consigo
Todo peso do dever
Jamais poderia sair do umbigo
& lançar-se à louca lucidez

Assim,
Sem propriamente um caminho
Falo a mim:
Como guiar esse redemoinho,
Sem por ele ser tragado
Sem ter que dançar de braços abertos,
Corpo nu & olhos fechados?



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Na calada noite, eu sussurro...

Meu monologo sem pé

A luz me irrita.
A sombra me irrita.
O barulho me irrita.
A rua me irrita.
Assim como a calçada
E toda a roupa passada.

Irrito-me a esmo.

Irrita-me o carro.
Irrita-me o barro.
Irritam-me as pessoas,
"más" ou "boas".
Irrita-me o prédio.
Irrita-me o tédio.

Assim, irritando a mim mesmo
Sigo feliz crendo na salvação,
Ou então
Em um dia acostumar-me à irritação.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Sein-Architekt


Keine Bipolarität
(Nenhuma bipolaridade)

O seu labor não é mais seu
E o seu corpo esquartejado se perdeu

De você, como cada uma das partes,
De sua vida, que agora é várias metades

A bipolaridade, a alienação
Os compartimentos, a técnica: sim-não

O seu amor não é mais seu
Está gravado num corpo que morreu

E você já não sabe mais
O que lhe fez desistir das coisas mais banais



No peito...


uma camisa branca tingida a sangue, suor & lágrimas

vontade de chorar desesperadamente
exaustivamente até que a última lágrima se ponha & com ela o que resta da vida em meu peito

vontade de berrar intensamente
incessantemente até que meu fôlego se vá com o restante de amor em meu coração

vontade de potência insustentavelmente 
impotente & incessante que leva embora o que resta de certeza, desejo, gozo & paixão em mim


Muito sobre:


Nix – Nihil – Nada

O tempo passa
Os braços cansam
A voz já é fraca
Os pés já não dançam

O peito já não é
Mais de ferro
Silêncio sufoca
O antigo berro

O mente já se esquece
Esquece que é
Esquece que pensa, que pode
Esquece-se de ser

Outra coisa que não isso
Que não medo
Que não omisso
Que não o que agora é

Eu lhe pergunto:
“E agora, José?"

Olhos inchados
Futuro e melhora
Já nem são sonhados
Não há amanhã nem agora

O vazio invade
O coração marcado
A esperança
Agora já é passado

Tudo que sobrou
Foi o conformismo,
O consumismo,
E o nada

Sem mais valor
Uma vida sombria
Um átomo átono
Um eu falecido

E a pergunta é:
"E agora José?"

terça-feira, 27 de março de 2012

Dum jeito vago e obsceno:


Três considerações sobre uns e vários

para a morte de uns chame assassinato
para a morte de vários chame política de estado
para a palavra de uns chame insanidade
para a palavra de vários chame verdade
para a correção de uns chame penitenciária
para a correção de vários chame escola primária

e a vida... a vida não para


segunda-feira, 26 de março de 2012

Um quase-soneto V:


Sr. Soi & a Fobofobia

Fobobobia, ou medo do medo,
a maestria do século XXI
cuidadosamente atravessada
no coração de cada um

meticulosamente enraizada
em cada fio de cabelo
garantindo segurança
e brotando em cada pesadelo

um quase quase sempre presente
um presente que não se quer abrir
com uma furtividade de serpente
no presente marca o medo do por vir
o medo medra medo iminente


terça-feira, 20 de março de 2012

Freu(n)d?

Um ou vários lobos?

Um ou vários lobos?
Quantos lobos você pode ouvir falar?
Quantos lobos você pode ouvir uivar?
Quantos lobos você pode ver?
Quantos lobos de verdade?
Um ou vários loucos?
Quantos o cara no divã lhe deixar engolir?
Quantos são na realidade?
Uma múltipla incontinuidade:
Intensa animalidade
– você – a se redimir




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Um quase-soneto IV:

Sr. Soi & os falsos egoístas
ou
Sr. Soi & o egoísmo da causa


Dizem por aí
que esses que se sentam para não mais se levantar,
esses que reclamam por não poderem se sentar
são o tipo mais egoísta que há

Dizem por aí
que esse tipo que se deita conformado e sorridente,
esse tipo que, então deitado, reclama veemente
é, ao contraio de si, egoísta enquanto sente

Todavia, mesmo esses que "dizem por aí"
& esse tipo que vive reclamar e a sorrir
não passam de pobres tolos desvairados,
pois, nem para si é o ganho de seus pecados

Todavia, se olhar-se em profundidade,
tanto uns quanto outros, em verdade,
nem egoísta são os tolos &/ou conformados,
são queixosos de causas que lhes tiveram sugados

Seja na causa dos partidos,
seja na causa dos mal amados
nenhum deles pertence a si




segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um quase-soneto III:


Sr. Soi & as sombras gigantes

As sombras de cimento,
tão quentes à pele & tão frias n’alma,
uivam com o vento

Que outrora me acovardava por seu sibilo melancólico
& agora me melancoliza pela formas covardes que contorna
amiúde, fazendo do papel um encontro catabólico:
pensamentos infames, ares secos & vista morna

Um fragmento de papel,
fragmento de ser do-ente de calma,
rabisca o que resta de céu

Que outrora foi negro cintilando minha ínfima & infinita finitude,
como brilho raro de diamante,
agora some pela soberba de minha espécie, que se ilude
que em algo, senão em mentira, é gigante

...fadando-se ao mesmo & a curti-lo




sábado, 28 de janeiro de 2012

Balbucejo zombeteiro...


Para além (das cores) do Arco-Íris

Não importa a cor, pois tudo mescla-se na mesma massa
homogênea & disforme – tudo tão cinza & sem graça!

Não importa o gosto, pois tudo parece ser o mesmo
punhado de nada, turvo & seco – um pálido sesmo!

Importa, então, repetir a identidade
sobre o solo da mesmice
propagar uma diferença
que não passa de tolice

Uma tolice tão tola que não mais magoa
Que não faz mais que agitar a superfície da lagoa
na qual o fundo lamacento
guarda os limites & os limiares do advento!