quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sem cruz,



Credo


Quando eu era um pequenino cristão,
Cria que era Deus quem tinha o poder da criação.
Passados os anos, hoje eu creio, em verdade,
Em Deus-Pessoa e na Santíssima Tri-Andrade;
Oro pelo desgoverno dos augustos anjos Tiago e Manuel;
Rogo a São Mário e a Santa Cecília que me inspirem lá do Céu;
Busco desconforto nos versículos de São Carlos e São Vinícius que estão,
Entre tantas outras divindades, a figurar neste herético panteão.
Passados os anos, hoje eu sou politeísta,
Meu credo são os deuses da poética  Sou Arteísta!



terça-feira, 12 de maio de 2015

Lá,

Duas ilhas

Pela janela em movimento
Eu via
Emergir uma ilha que ia
Verdejando meu olhar lento
Enquanto rasgava o cerúleo do horizonte;
Bem no encontro de planos
Celestes e mundanos
– Um víride monte!

No último banco
Emergia
Outra ilha que prendia
Meu olhar franco
Com seus sublimes enleios:
Uma alva pele,
Que alvejava meu coração que a tudo repele,
E belos seios.

De repente,
Sem emergir,
Sem devenir
– A cidade!
O verdejar foi traduzido em bloco cinza de linhas e navalhas
A cortar a carne da minha vista e a quadricular-me em migalhas;
Os seios, desfeitos,
Agora são peitos
O alvo agora é branco:
Uma pálida questão de gênero e de cor restou no banco.



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu sou

 Devasso
Eu sei,
eu sou
um sórdido
e insólito
sandeu
sorrindo
ao sol,
seguindo
intenso,
a voz
visível
no soma
que sou
E assim
o sendo,
me sento
viçoso
ao solo
da sua
desgraça,
e sigo
sem ser
sensato
Vou só,
vou sestro
à sólita
miséria,
à insana
soberba
e à sonsa
mesmice
de suas
sovinas
vivências
- Oh Ser
nefasto
de sombras!
Oh ser
soturno
das sobras!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Outros versos...

A Sirene
 
Oh, Sirene! Oh serena Sirene!
Lúbrica, desviaste meu leme
com estes belos olhos de mar
pelos quais fui me apaixonar
Rondaste minha nau enquanto te observava
e cria domá-la. Mas eu nada comandava!
Enfeitiçado, deixaste-me à minha agonia
Partiste! E fiquei companheiro da taquicardia
dum jovem navegante coração partido.
O qual quedou, sofrido, tão sofrido,
à espera duma deixa, numa cena
– Ah serena, tão serena! –
em qu’eu pudesse um sorriso a ti dar
Oh Sirene, amante deste Narciso do mar!



Quase-Soneto da...



Ilha deserta

 

Se este plúmbeo céu nubiloso, que agora encobre
esta oceânica ilha deserta que me tornei,
faz sombra sobre o solo cor de cobre,
no qual jubiloso eu sou o poderoso El Rei,
também guarda mazelas das quais não sou pobre

Pois eu, que também sou mulher, sei dissimular
tão bem quanto poucas sabem fazê-lo
Se tantas vezes silenciei ante teu apelo,
o fiz por ter meus pulmões esvaziados de todo ar

E se é por este quase soneto que me expresso,
não o faço meramente por covardia,
mas por teu olhar me causar afasia
e tua ausência me amaldiçoar através do verso