segunda-feira, 20 de abril de 2015

Outros versos...

A Sirene
 
Oh, Sirene! Oh serena Sirene!
Lúbrica, desviaste meu leme
com estes belos olhos de mar
pelos quais fui me apaixonar
Rondaste minha nau enquanto te observava
e cria domá-la. Mas eu nada comandava!
Enfeitiçado, deixaste-me à minha agonia
Partiste! E fiquei companheiro da taquicardia
dum jovem navegante coração partido.
O qual quedou, sofrido, tão sofrido,
à espera duma deixa, numa cena
– Ah serena, tão serena! –
em qu’eu pudesse um sorriso a ti dar
Oh Sirene, amante deste Narciso do mar!



Um quase-soneto XII



Ilha deserta

 

Se este plúmbeo céu nubiloso, que agora encobre
esta oceânica ilha deserta que me tornei,
faz sombra sobre o solo cor de cobre,
no qual jubiloso eu sou o poderoso El Rei,
também guarda mazelas das quais não sou pobre

Pois eu, que também sou mulher, sei dissimular
tão bem quanto poucas sabem fazê-lo
Se tantas vezes silenciei ante teu apelo,
o fiz por ter meus pulmões esvaziados de todo ar

E se é por este quase soneto que me expresso,
não o faço meramente por covardia,
mas por teu olhar me causar afasia
e tua ausência me amaldiçoar através do verso


sábado, 4 de abril de 2015

Dou-vos:



Soneto das primeiras inspirações



Desde a primeira inspiração,
Nesta terra vil de vampiros,
Até meus últimos suspiros,
Que um dia esvaziar-me-ão

Mesmo o mais delicado alvéolo
Pulmonar, tudo isto, bem sei,
– pois certo como diva lei! –
Um dia há de regressar a Éolo.

E nesta linha pelas Moiras tecida,
Os ares que a mim vêm
E os que de mim se vão

Ventos vulníficos da viçosa vida,
Que não falam do além,
Digo, sempre serão!
.