segunda-feira, 20 de abril de 2015

Um quase-soneto XII



Ilha deserta

 

Se este plúmbeo céu nubiloso, que agora encobre
esta oceânica ilha deserta que me tornei,
faz sombra sobre o solo cor de cobre,
no qual jubiloso eu sou o poderoso El Rei,
também guarda mazelas das quais não sou pobre

Pois eu, que também sou mulher, sei dissimular
tão bem quanto poucas sabem fazê-lo
Se tantas vezes silenciei ante teu apelo,
o fiz por ter meus pulmões esvaziados de todo ar

E se é por este quase soneto que me expresso,
não o faço meramente por covardia,
mas por teu olhar me causar afasia
e tua ausência me amaldiçoar através do verso


Nenhum comentário: