quinta-feira, 14 de abril de 2016

Manco



Sabiá



Sento-me num banco;
O tempo me agrada;
O local me apraz.

Um sabiá manco
Saltita na estrada
Com a brisa logo atrás.

Aspiro profundamente.
Sugo perfumes, aromas
E memórias ao vento.

Misturo-os na mente
E tu então me tomas
De assalto o pensamento.

O cheiro tão doce
E quente dos cabelos
Teus me embriaga.

Mas acordo, como fosse
De um sonho, pelos
Pios do bicho que vaga

Sob meus pés a chilrar.
Ele me saca sem aviso
Deste devaneio lento

Em que te sinto no ar;
Deixa-me apenas o sorriso
De te ter por um momento.

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