sábado, 30 de abril de 2016

Palavra presidiária

Na garganta

engulo
seco,
frio,
e denso.
palavras não ditas,
palavras não ouvidas,
o telefone mudo,
a boca muda,
o silêncio na linha.
engulo
seco,
frio,
denso,
e duro.
as palavras raspam na garganta,
carregam consigo sentimentos
de volta ao estômago;
não saem
ficam.
fica
ali, guardado
um prazer,
uma dor,
uma alegria,
uma tristeza,
um cochicho,
um grito,
um silêncio,
um estrondo
e um sem nome.
engulo
seco,
frio,
denso,
duro,
e pesado.
cai num golpe surdo
tranco tudo;
escapa só um gemido,
escorre só uma lágrima.









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