quinta-feira, 30 de junho de 2016

O que posso?


Signo
ou
O que sou?

         Signo,
assigno-me,
assino-me
em um signo
que me apreende,
que me prende,
que me aprende,
pois o ensino o que posso
e o aprendo
pois que restrinjo o que posso
no que sou:
deixo do que posso para ser;
o que eu posso? se esvai
no que sou?
          O que sou?
és isto
com ascendente em aquilo
e lua naquele outro;
ou és istoismo
com pós-aquiliano
e pseudo-aquelônico;
ou ainda, és
deste jeito por conta aquele sonho,
daquele modo por causa deste teu pai,
este teu pai que é...
] ad eternum
ad nauseam [
          Esticam-se as raízes que me assinalam,
meu pertencimento,
meu prendimento,
meu lar no coração do ser,
sono eterno
no berço esplêndido
do que é,
do que sou;
mas não sou,
senão como lampejo
que brilha e deixa-se ser apenas em memória,
a luz que corta a retina;
assim sou sem ser,
assim não sou
nem me pergunto,
não me posso perguntar:
o que sou?
mas ouso ao perguntar:
o que posso?
o que posso eu?
o que pode meu ser?
o que posso ser?
o que posso fazer...
viver... mover... pensar... comer... ir... ficar... não ver...

Nenhum comentário: