segunda-feira, 6 de março de 2017

Uma paixão...

Em cinco minutos

Eu a vejo
Ela,
Ali.
Eu a vejo,
Ela que não faz a menor ideia do que se passa.
Eu a vejo
De soslaio.
Eu a vejo,
Pele alva.
Seria a lua?
Não,
A lua está longe,
Lá onde não a posso ver.
E eu,
Eu a vejo
E por cinco minutos ela é a única.
Única,
Assim,
Como a vejo
E ela,
Ela não faz a menor ideia do que se passa,
A menor ideia de mim,
Mas isto me é suficiente.
Ver seu cabelo negro,
Negro a meus olhos daltônicos,
Mas isto me é suficiente.
Não sei nada dela que não seja este pedacinho de ser,
Isto que vejo.
Poderia amá-la através deste olhar?
Sim,
Por cinco minutos.
Por cinco minutos a amo.
A amo de todo de meu coração,
Com a plenitude de minhas energias.
Eu a vejo.
Eu posso sentir seu perfume,
Ainda que meu nariz não fareje nada;
Eu posso escutar sua voz
E mesmo seu jovem coração a pulsar,
Ainda que meu ouvidos não a possam ouvir;
Eu posso apalpar sua pele,
Ainda que a distância seja demasia para que eu a toque;
Eu provo o gosto de sua boca,
Ainda que permaneçamos completos estranhos,
Ainda que sejamos profundamente desconhecidos um ao outro,
Eternamente.
Mesmo assim,
Mesmo desse modo,
Mesmo dessa maneira louca,
Eu a amo,
Intimamente.
Eu a amo,
Verdadeiramente,
Por cinco minutos.
Por cinco minutos
Ela é o amor da minha vida.
Cinco minutos se passam
E não há outro vestígio que estas palavras
Vazias.


Nenhum comentário: